quarta-feira, 9 de julho de 2014

Tathagatha: aquele que é como o anterior








''O Fogo é o princípio de toda a vida'', Jacob Boheme, Signatura rerum XIV.29

Em uma tese recente, o Dr. William C. Kirk cumpriu seu propósito imediato, que era descobrir, até onde fosse possível, o que Heráclito de Éfeso havia dito efetivamente sobre o Fogo. Não nos propomos a resenhar este folheto, que está plenamente documentado e bem construído. O que q...
ueremos criticar é mais especificamente o propósito da erudição histórica em si mesma. Certamente, devemos saber o que se disse: mas de que utilidade será para nós tal conhecimento, se nao consideramos o significado do que se disse e pudermos aplicar este significado á nossa prórpria experiência? Aqui o Dr. Kirk tem que dizer pouco mais do que contém já estas significativas palavras: '' Heráclito é um dos filósofos gregos que buscavam explicar todo o universo em termos de alguma entidade básica. Depois de seu tempo,certamente, o Fogo decresceu em importância e os homens deixaram de buscar um único princípio que explicasse todos os fenômenos''. Isto é um confissão de que os homens caíram ao nível desse empirismo diante do qual Platão se mostrava tão depreciativo, e também ao nível daqueles gregos a quem Plutarco ridicularizava porque já não podiam distinguir entre Apolo e Helios, entre a REALIDADE (to on) e o FENÔMENO, ''a um tal ponto sua PERCEPÇÃO SENSORIAL (aisthesis) perverteu seu poder de DISCRIMINAÇÃO (dianóia). No entanto, é apenas parcialmente verdadeiro que ''a importância do Fogo decresceu'', e apenas alguns homens abandonaram a busca de ''um princípio único''.

 O Dr. Kirk vê que Heráclito deve ter tido precursores, mas apenas se dá conta de que não poderia ter sido um filósofo no sentido moderno, e sim um filósofo no sentido antigo mais elevado do termo, segundo o qual o verdadeiro mestre é o que compreende e transmite uma doutrina de antiguidade immemorial e de origem divina e anônima... o Budha, por exemplo, proclama que ''seguiu a via antiga''(Samyutta Nikaya II.106), e disse que ''quem quer que pretenda que eu predico uma doutrina feita por mim mesmo e minha própria argumentação está adormecido'' (Majjhima Nikaya I.77)... Por isso o Dr. Kirk diz que Heráclito fala como quem propõe uma verdade evidente e geralmente aceita, não como alguém que argumenta com uma opinião pessoal. O que se destaca em Heráclito é, com efeito, inquestionavelmente ''ortodoxo'', ou seja, de acordo com a Philosophia Perennis (et Universalis), cujos ensinamentos são sempre e por todas as partes as mesmas.


 A concepção de um Fogo transcendente e universal, do qual nossos fogos são apenas pálidos reflexos, sobrevive nas palavras 'empíreo'' e ''éter''; esta última palavra deriva de ''aitho'', ''acender'' (sánscrito indh) e, incidentalmente, não carece de interesse que ''o tigre incandescente'' de Wiliam Blake nos recorde o ''aithones theres'' dos gregos, que se referíam assim ao cavalo, ao leão e á águia. O Rig Veda (II.34.5) fala de vacas de fogo (indhanvan = aithon). Para Ésquilo, Zeus ''estin aither'' (Fr. 65A; cf. Virgílio, Geórgicas II.325); no Antigo Testamento (Deuteronomio 4:24) e para São Paulo (Hebreus 12:29) ''nosso Deus é um fogo consumidor-devorador ( Noster Deus ignis (pyr) consumens est); e a epifania do Espírito é como ''línguas de fogo'': a conexão das línguas de fogo e a de falar em ''outras línguas'' também não é fortuita, e sim dependente da doutrina segunda a qual o Fogo (Agni) é o princípio da Fala (Vac) em Brhadarannyaka Upanishad I.3.8, etc.; Agni, o mesmo que o Daimon de Platão, aquilo que ''não cuida de nada, exceto da Verdade'', pois isso é ''satyavacah'' (Rg Veda Samhita III.26.9, VII.2.3). Cf. Satapatha Brahmana X.3.3.1, «O que o ocorre com alguém que toma conhecimento direto deste Fogo? Esse alguém prontamente se torna ''eloquente'', a 'fala'' não lhe falta, jorra em abundância''. Ver René Guenón, «O Dom das Línguas».


Agni (ignis, Fogo) é um dos principais e talvez o primeiro dos nomes de Deus no Rig Veda. Indra é ''metafisicamente Indha'' (aithon), um ''ACENDEDOR'', pois ''acende'' (inddha) os Sopros ou Inspirações (Prana, Satapatha Brahamana VI.1.1.2). O Cisne Solar (hamsa) ,''a quem vendo se vê o Todo'', é um ''Fogo deslumbrante'' (tejas-endham, Maitri Upanishad VI.35), e dele se fala como ''incendiado'' ou ''flamejante'' (lelayati, Brhadaranyaka Upanishad IV.3.7), igual ás línguas de Agni (lalayamanah en Mundaka Upanishad I.2.4). O Buddha, que pode considerar-se como um tipo humanizado de Agni ou Indragni, é um ''mestre consumado do elemento fogo'' (tejo-dhatum-kusalo,Vinaya-Pitaka 1.25). Mestre Eckhart pode falar também do ''céu imutável, chamado fogo ou o empíreo'' e dizer que o néctar (amrta, «mel», «água da vida») está negado a todos aqueles que não alcançam «essa flamejante inteligência celestial''

(...)


 Há uma série de textos sânscritos nos quais o Sol, ou o Indra Solar, ou o Saman, ou o Udgita identificado com o Sol ou o Fogo, se diz que arde ou flameja no alto e por cima da cabeça. Em Jaiminiya Upanishad Brahmana I 45.1-6, o IndraSolar ''nascido aqui de novo como um rishi, um fazedor de encantamentos (mantrakr ou mandrake) para a guarda (guptyai) dos Vedas'', quando vem como o Udgitha ''sobe daqui para o Mundo da Luz Celestial (ita evordhvas svar udeti) e arde sobre a cabeça (upari murdhno lelayati); então se deve saber que ''Indra acabou de chegar''. Da mesma maneira em Jaiminiya Upanishad Brahmana I.51.3, o Saman, havendo sido expresso (srstam) como o Filho do Céu e da Terra, ''avançou até ali e se deteve ardendo em chamas ou ''flamejando'' (lelayad atisthat). Novamente, em Jaiminiya Upanishad Brahmana I. 55, onde o Sol (aquele que brilha ali) nasce do Ser e do Não-Ser, do Saman, e e diz que ''Ele arde no alto (uparistat = upari murdhnas). Mas que primeiramente ''ele era inestável, parecia (adhruva iva); não tinha chama, parecia ''alelayad iva); não ardia no alto (nordhvo 'tapat)''. Somente quando foi feito firme pelos deuses flamejou até em cima, para baixo e por todos os lados (ou seja, brilhou a partir do centro em todas as seis direções, sendo ele mesmo o 'raio sétimo e melhor''). O que se diz em Jaiminiya Upanishad Brahmana I 45.4-6, citado acima, se repete com referência ao ''Sopro'' (Prana), identificado com o Pastor Solar do Rg Veda Samhita I 164.31; o ''Sopro'', consequetemente: ''upari murdhno lelayati'. A este Sopro se dá o nome de ''O Udgítha que controla tudo agudo como uma chama'' (vasi diptagra udgitho yat Prana), e em Jaiminiya Upanishad Brahmana Jaiminiya II.4.3, certamente, ''agudo como chama" e torna também aquele que se faz um Compreensor D´Ele.


 Parece, então, que enquanto ''in divinis'' (adhidevatam) «sobre a cabeça» significa «no Céu», com referência com uma pessoa situada aqui embaixo (adhyatman) significaapenas sobre la cabeça. Na sequencia, encontramos no Lalita Vistara (I,p.3) que quando o Buddha está em Samadhi 'um Raio, chamado ''O Ornamento da Luz da Gnose' (jnanalokalankaram nama rasmih), procedente da abertura na protuberância craniana (usnisavivarantarat), joga sobre sua cabeça'' (uparistan murdhnah). Isto é manifestamente a prescrição iconográfica subjacente na apresentação de uma chama que sai da coronilla da cabeça em muitas das figuras tardias do Buddha. O Saddharma Pundarika pergunta: ''Por razão de que gnose (jnana) a protuberância craniana (murdhnyusnisa) do Tathagatha brilha (vibhati)? A resposta á isto se dá com mais frequencia no Bhagavad Gita XIV.11: ''Quando há gnose, a Luz brilha também por fora (prakasa upajayate jnanam yada) desde todos os chakras do corpo, e então se sabe que o ser está iluminado (vrddham sattvam), ou seja, que o homem se tornou ''aquilo que ele realmente é''. O brilho ressonante do corpo é natural em um organismo glorificado pelo Nirvana. 


 Antes de concluir devemos fazer uma última alusão á outro contexto bem conhecido no qual uma CHAMA aparece ''SOBRE A CABEÇA''. O Raga Dipak é célebre como uma melodia que é literalmente uma ILUMINAÇÃO e que pode CONSUMIR O CANTOR COM SUA CHAMA. No texto hindi se diz que ''Dipak se recreia (keli karata = kridati), DIPAK É UM REI, que exibe a plenitude da beleza e sobre cuja cabeça brilha uma chama tremeluzente (digala bijotimastaka ujiyari). Tendo-se presente que o SPIRITUS SANCTUS É A LUZ INTELECTUAL, o «funkelin der sele» de Mestre Eckardt, e que o FOGO É O PRINCÍPIO DA FALA, podemos citar um notável paralelo de alguns dos contextos precedentes com os Fatos 2:3-4 dos Apóstolos, onde na forma de ''LÍNGUAS DE FOGO PARTIDAS, QUE POUSARAM SOBRE CADA UM DELES. E ELES COMEÇARAM A FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS DESCONHECIDAS, SEGUNDO O ESPÍRITO LHES ORDENAVA''


 Consequentemente, nos foi possível rastrear aqui, não só a continuidade e universalidade da noção de ATIVIDADE DIVINA concebida como UM TIPO DE JOGO E DIVERTIMENTO, mas também de reconhecer no ''JOGO'' de um CHAMA TREMELUZENTE ou de uma LUZ INTELECTUAL VIBRANTE o símbolo adequado desta EPIFANIA DO ESPÍRITO.


 Gracias.

K.M.

O cumprimento da profecia



42 é o valor da idade crística de Maitreya segundo as profecias. A idade de um Avatar é proporcional à de sua missão e ao ciclo que vem reger ou resgatar. A de um Bodhisatwa (7° grau, Era Zodiacal) como Jesus ou o Quetzalcóatl tolteca ocupa cerca de 3 ou 4 anos. A de um Buda Pratyeka ou Manushi (8° e 9¨ graus, Semi-Era Solar) como Gautama ocupa 6 ou 7 anos, e a de um Dhyani Buda ou Adi-Buda (10° e 11° graus, Era Solar e Manvantara) como Kalki-Maitreya ocupa entre 10 e 12 anos.

sábado, 3 de maio de 2014

''Cambio de velocidad''


O conceito de ''frequência'' se maneja na cultura popular desde a revolução psicodélica dos anos sessenta; mas quase sempre apenas como uma intuição ou como consequência de nossas limitações linguísticas; ao não se poder definir algo com precisão isto se generaliza como nebuloso conceito de ‘’frequência’’. No entanto, este incipiente alerta ás modulações do ambiente, ás avalanches de ondas electromagnéticas, nos induz a uma ressonância profunda com a natureza do universo e a construção da realidade através da percepção.

 

Esta é a teoria da Natureza Poliarmônica da Realidade, expressa por Julian West:

 

‘’O planeta Terra é um organismo electromagnético que exibe uma ressonância periódica (geralmente conhecida como ressonância Schumann, 7.8 hertz por segundo), uma frequência natural de vibração sintonizada pelo momento angular de sua rotação axial. Ionizada por um constante fluxo de radiação solar, o padrão de onda habitual propagado pelo domínio de frequência fundamental da terra é amplificado e aumentado em um complexo padrão de ondas que se entre-tecem e inter-penetram mas sem superpor-se umas ás outras ou interferir mutuamente (na grande maioria dos casos), pois se isso ocorresse perceberíamos o mundo como uma confusa e caótica borrasca (algo assim como um holograma dividido até perder sua imagem).

 

‘’Realmente não existe a cor, o aroma ou o som na natureza, só há uma matriz de energia que se desdobra em matéria num fluxo (holomovimento) eterno. E esse fluxo é uma rede poliharmônica de longitudes de onda que se entre-tecem, as quais, quando são transduzidas pela neurobiologia humana se convertem em um mundo fenomênico cuja reprodução reconhecemos como sendo ‘’a realidade’’ ou imagem da realidade de quando estamos acordados.

 

"Mas a neurobiologia humana é já um organismo electromagnético sintonizado e restringido a um domínio específico de frequência dentro da Hiper-esfera -Mundo. Qualquer longitude de onda que se propaga mais além do domínio de frequência específico no qual opera comumente a neurobiologia humana se filtra inacessível, se torna invisível, inexistente. No entanto, seria um equívoco supor que (o invisível) não existe só porque não entra no espectro limitado de nossa percepção’’.

 

"Se aceleramos o momento angular dos eléctrons que compõem o neuro-sistema humano, a frequência fundamental do corpo se eleva, produzindo sobretons harmônicos mais altos, expandindo desta forma a consciência rumo a estratos perceptivos mais sutis dentro da Hiper-esfera.’

Post.S;.

 

: é o que Don Juan Mattus chamava de cambio (mudança) de velocidad.

UMA GNOSE QUE NÃO É COMUNICÁVEL
 

é uma gnose que não é comunicável (Anguttara-Nikaya III, 444)

(...)
 

Velha comparação, comum aos Upanishades e ao budismo: quando os rios atingem o mar, perdem nome e forma, e só se fala do "mar".

 

(...)
 

"A gota de orvalho desliza para o mar resplandecente". Sim, mas a fórmula não é exclusivamente budista: nós a encontramos em Rumi (Nicholson, Diwan, XII, XV; Mathnawi, passim), em Dante (sua voluntate..:. è quel maré ai qual tutto si muove (Par. III, 84), em Maestre Eckhart (also sich wandelte der Tropfe in das Meer... "o mar da insondável natureza de Deus), em Angelus Silesius (wenn Du das Tröpflein weisz im grossen Meere nennen, denn weisz Du meine Seel'im grossen Gott erkennen, Christl. Wandersmann, II 25) (Deus é submersão) e também na China, onde o Tao é o oceano ao qual tudo regressa (Tao-te King, XXXII, Lao Tsé).


(...)

O ser humano emite biofótons de baixa intensidade: em 2009 um grupo de cientistas japoneses logrou captar a luz do corpo humano.

Estar feito da mesma matéria que as estrelas tem suas consequências e uma delas é que nós humanos emitimos luz.

Ainda que essa luz seja invisível para o olho humano, cientistas japoneses comprovaram que o corpo humano produz biofótons como resultado de seu metabolismo energético.

Cientistas do Departamento de Eletrônica e Sistemas Inteligentes do Instituto Tohoku usaram uma câmara criogênica CCD sensível á emissões fotônicas ultradébeis, descobrindo que o corpo humano produz pulsos rítmicos de luz e é o rosto o que emite a maior e mais constante quantidade de biofótons
(resplendor do rosto que, na Idade Média, se representava com a auréola )

Também notaram que existe uma maior emissão durante a tarde em comparação com o dia e a noite, o que provavelmente se deve á mudanças no metabolismo, algo que pode ser observado nas espécies ativas baseadas em oxigênio. Assim mesmo, indivíduos que haviam sido privados de sono apresentaram uma menor luminosidade - daí que dormir bem signifique brilhar mais.
P.S:.

de O HOMEM E SEU DEVIR SEGUNDO O VEDANTA
(René Guenón)

O estado energético está ligado ao estado corporal de duas maneiras diferentes e complementares, pelo sangue enquanto qualidade calórica, e pelo sistema nervoso enquanto qualidade luminosa.


(...)


’Só então O verá, quando não possas mais falar Dele; pois o conhecimento Dele é silêncio profundo, e supressão dos sentidos’’

Hermes, «Lib.» X.5


(...)

Este ‘’lado silencioso’’ se identifica com o que se chama de ‘’os olhos prensados de soma’’ no vedantismo, olhos pelos quais o Conhecedor do campo alcança o mundo da Luz. Há uma referência a estes ""Olhos de Soma, olhos de contemplação (dhi) intelecto (manas) com os quais nós contemplamos o Princípio Supremo’’ (hiranyam, Rg Veda Samhita I.139.2, ou seja, Hiranyagarbham, o Sol, a Verdade, Prajapati, como em Rg Veda Samhita X.121).


A oração bem conhecida do Rg Veda Samhita X.189, dirigida a Rainha (Sarparajm) que é por sua vez tbm a Aurora, a Terra e a Esposa do Sol, se conhece também como o CANTO MENTAL (manasa stotra) devido evidentemente a que, como se explica en Taittiriya Samhita VII.3.1, se «CANTA MENTALMENTE» (manasa stuvate), e isto é porque está dentro do poder do intelecto (MANAS) não só abarcar isso (MAM, ou seja: o universo finito) em um único instante mas também transcende-lo, não só contê-lo (paryaptum) mas também envolvê-lo (paribhavitum). E desta maneira, através do que é anunciado previa e verbalmente (vaca) e do que se anuncia depois mentalmente ‘’se possui e se obtém os dois mundos (os dois níveis de consciência)

cambio de velocidad: Agarrar o Infinito na palma da mão
E a Eternidade num instante."
(William Blake)



Precisamente o mesmo está implícito em Satapatha Brahmana II.1.4.29, onde se diz que tudo que não se obteve com os ritos precedentes se obtém agora por meio dos versos á SARPARAJNJ recitados, como de regra, mental y silentemente; e assim se obtém o TODO (SARVAM).

(...)

Se compreenderá que Agni e Indra são tanto RESSONÂNCIAS quanto LUZES, e que o ‘’bramido’’ das chamas de Agni é também sua CREPITAÇÃO ou CANTO. O Sol mesmo CANTA e isto se encontra expresso no verbo ARC, que significa exatamente CANTAR ou BRILHAR, ou mesmo as duas coisas ao mesmo tempo (VERBUM ET LUX CONVERTUNTUR)

É desnecessário examinar aqui se USNISA significa PROTUBERÊNCIA CRANEAL ou TURBANTE. Em um e outro caso está indicando que é do alto da cabeça que vem a LUZ. Há um paralelo estreito entre a redação em Jataka VI.376, onde a divindade do parasol real emerge por uma abertura no alto da cabeça (‘’Algumas Palavras Pali’’, Ananda Kentish Coomaraswamy)

Em algumas representações deste RAGA o cantor está em um reservatório de ‘’água primordial’’ por segurança

o FOGO, vindo a ser tornar FALA, ocupou TODA A BOCA

agnir vag bhutva mukham pravisat

morando nos seres como a FALA no FALADOR

é certo que todos os PODERES DA ALMA (PRANA) são MEDIDAS DO FOGO DO ESPÍRITO SANTO

a FALA corresponde ao FOGO, a VISÃO ao SOL, etc

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Agni Yoga

 

As coisas se apresentam muito feias quando não se tem a capacidade de entende-las...
 
O ritmo da verdade é como uma fortaleza inquebrantável. A aspiração verdadeira para a conscientização das possibilidades mais elevadas deveria encher a maior parte da vida de um homem, como uma mais necessária e atraente ocupação. Mas a luz da verdade é substituída pelas fórmulas convencionais das religiões e as ilusões de facilidade dos preguiçosos; e o homem, que é por vocação um pensador, curva-se ante um canto escuro, e cobre-se com idéias de realizações fáceis e desprezo pelo pensamento avançado, sem nem mesmo saber que nestas imagens de facilidade apenas projeta seu medo. Repeti isto a todos os que dormem na escuridão do convencionalismo cômodo e na ilusão dos vendedores de facilidade

 
 
 
 

Nós vos ensinamos a captar o pensamento básico, sem sucumbir ao aspecto externo da expressão. O mais importante é evitar a repetição. Se o receptor do espírito estiver pronto, cada pensamento penetrará como uma flecha. Mas se a decomposição do tecido já obstruiu os canais dos centros, a Agni Yoga é inascessível.

Certamente o Ensinamento da Agni Yoga será útil a cada um, mesmo se ele não alcançar as manifestações espirituais. Os princípios externos da Agni Yoga, em qualquer caso, sustentarão a saúde, fortalecerão a memória e purificarão o pensamento.

Mas onde ficarão  os sinais das conquistas que elevam o espírito, além das manifestações mais espantosas e auto-evidentes de vigor e rejuvenescimento? Primeiramente, serão acesos os fogos dos centros, depois será ouvida a Voz do Silêncio, e no final manifestar-se-á externamente a chama psíquica que, de certo modo, une a consciência pessoal com a consciência do espaço. Então, já será possível o contato com as belas, perigosas e mais sutis energias, com tudo o que transforma a vida e elimina o conceito de morte.

A dificuldade de contato com o incomum exige, ás vezes, condições especiais de vida. O sono diminui muito e algumas posições podem  tornar-se difíceis, variando com o praticante. A tensão dos músculos cansa o trabalho do espírito e cada envenenamento da aura pode causar sofrimento. Certamente, isto pode ser evitado livrando-se da tensão residual diária dos músculos com relaxamentos e respirações e buscando sempre a prática diária do silêncio interno para não sair da corrente mais alta.

.......................é mais do que um sinal de avanço para a Agni Yoga quando podeis aspirar profunda e livremente nas ''alturas''. Então, está acessível o caminho para as camadas mais altas do astral, desde que a consciência o permita.

No caminho para a Agni Yoga  pode estar somente aquele que considera insignificantes seus conhecimentos; que raramente lembra suas distinções feitas pelas pessoas; que não participou das manifestações falsas de religião ou deturpações virtuais pop em busca de audiência; que pode, a cada ano, renovar a semeadura do jardim sem maiores esforços, sorrindo á tempestade que levou os trabalhos anteriores; que perdeu a capacidade de caluniar; que intensificou sua aspiração na busca do invisível supremo e rejeitou comungar com todos os traidores da verdade e vulgarizadores ignorantes; aquele que se envolveu com o pensamento puro que forma uma aura invencível.
 
 
Post Scriptum
 
Vós vistes como um regato torna-se uma torrente poderosa, quando ele incorpora a si todas as cachoeiras e todas as correntezas, transformando-as numa só corrente. Também para o Agni Yogue não existe um conhecimento mau ou bom; ele absorve em si todo conhecimento e encontra utilidade para tudo.

É necessário acostumar-se á utilização de todos os tipos de conhecimento. Que esfera podemos considerar abaixo de nós? Como podemos estar confiantes, se nós mesmos rejeitamos o material necessário.

Quando fordes chamados de sonhadores, dizei: ''Conhecemos somente a ação''. Quando vos perguntarem: ''Com que afirmas o Ensinamento?'', respondei: ''Somente pela vida''. Quando vos desafiarem a defender os Mandamentos, dizei: ''É impossível responder á ignorância''. Quando forem injuriar o Mestre, dizei: ''Ainda esta noite voltarás a pensar sobre seu erro irremediável''.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Conhecimento direto e intuição intelectual

 
Visão direta das coisas em sua luz verdadeira sem passar pela intermediação do mental (manas). O intelecto puro, capaz da chamada "intuição intelectual" ou "inspiração" é um órgão por assim dizê-lo de um nível supra-humano, "posto que é uma participação direta da inteligência universal", segundo René Guénon.

A
intuição intelectual tem, portanto, por eixo à intuição enquanto captação direta da Luz inteligível durante sua passagem ao plano supra-individual, não ao plano da faculdade reflexiva do ser. Graças à intuição, segundo Ibn Arabi, "deixa-se de fazer raciocínios e compreende-se pela luz da intuição" (Tratado da Unidade)


René Guénon: INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DAS DOUTRINAS HINDUS
As verdades metafísicas não podem ser concebidas a não ser por uma faculdade que já não é da ordem individual e que o caráter imediato de sua operação permite chamar de intuitiva; mas, certamente, na condição de acrescentar que ela não tem absolutamente nada a ver com o que certos poetas malditos e
filósofos contemporâneos chamam de intuição ou subjetividade infinita, faculdade puramente sensitiva e vital que está propriamente debaixo da razão e não por cima dela. É preciso dizer, para uma maior precisão, que a faculdade de que falamos aqui é a intuição intelectual metafísica e não esta subjetividade inferior dos atuais fazedores de versos.

Esta percepção direta da verdade, esta intuição intelectual e supra-racional da qual os modernos parecem ter perdido até a simples noção, é verdadeiramente o
conhecimento do coração. Tal conhecimento é em si mesmo incomunicável, e é preciso havê-lo realizado, pelo menos em certa medida, para saber o que é verdadeiramente (...) (todo conhecimento particular) é uma participação mais ou menos distante do conhecimento por excelência, assim como a luz da lua só é um pálido reflexo da do sol (...) o conhecimento do coração é a percepção direta da luz inteligível, essa luz do Verbo com ''V'' maiúsculo de que fala São João no começo de seu Evangelho e não a verborragia poética de poetastros desarranjados.

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Sempre em conexão com a
inteligência, precisamos focalizar ainda uma outra quaternidade, cujos elementos constitutivos são para as quatro qualidades descritas o que as regiões intermediárias são para os pontos cardeais. Esses elementos são, por um lado, a razão e a intuição e, por outro, a imaginação e a memória, o que corresponde aos eixos norte-sul e leste-oeste. A razão não gera a intelecção, mas a coesão, a interpretação, a ordem, a conclusão. A intuição, que é o seu oposto complementar, gera a percepção imediata, embora velada e mais frequentemente aproximativa, sempre no plano dos fenômenos externos ou internos, pois trata-se, aqui, do mental e não do puro Intelecto. Quanto à imaginação e à memória, a primeira é prospectiva e gera a invenção, a criação, a produção a um grau qualquer; a segunda, pelo contrário, é retrospectiva e gera a conservação, o enraizamento, a continuidade empírica. Poderíamos acrescentar aqui que a qualidade da razão é a justiça, que é objetiva; a da imaginação é a vigilância, que é prospectiva; e a da memória é a gratidão, que é retrospectiva.

François Chenique: SARÇA ARDENTE
Vimos que o
conhecimento metafísico, que consideramos com São Boaventura como sendo de ordem sobrenatural1, se efetua por um "poder" de ordem supra-humano que é o intelecto, e isto em uma "iluminação"2 que alcança uma "intuição intelectual".

Quem diz "intuição" diz
conhecimento imediato, logo sem intermediário e forçosamente infalível. Em sua ordem o conhecimento intelectual é análogo à sensação que se opera também sem intermediário. O intelecto percebe na ordem do conhecimento metafísico, e, como todo conhecimento, o conhecimento metafísico comporta a "identificação" do sujeito e do objeto. Aristóteles diz no Livro De Anima que a "alma é em um sentido todas as coisas", pois "o ato do sensível e aquele do sentindo são um só e mesmo ato". Na sensação, "sensível" e "sentindo" têm um ato comum "subjetivado" no último; na intelecção, o intelecto e o inteligível se unem em uma identificação muito mais profunda dos dois termos. Tomas de Aquino retomou a doutrina de Aristóteles e a precisou pelos diversos "graus de identificação" que variam segundo a natureza dos seres conhecentes. A doutrina da Escola se resume no adágio célebre: "Intellectus in actu est intellectum in actu (intelecto em ato é o inteligível em ato) (I Sentenças). No conhecimento perfeito, Conhecimento, Conhecedor e Conhecido nada mais são que um só.

Falamos de "intuição intelectual". Em
realidade a intuição verdadeira é sempre de ordem intelectual, mas o abuso do qual esta palavra foi objeto exige que lhe adjunte um qualificativo.


 

Carlos Castaneda:
Ele o definia como um estado natural da percepção humana, no qual os pensamentos são bloqueados e todas as faculdades do homem operam de um nível de consciência que não requer a utilização do nosso sistema cognitívo diário.
Dizia que o corpo funciona normalmente, mas a percepção se torna mais aguda. As decisões são instantâneas e parecem provir de um tipo especial de conhecimento que é destituído de verbalizações mentais.

De acordo com Dom Juan, a percepção humana, funcionando em condição de silêncio interior, é capaz de atingir níveis indescritíveis. Alguns daqueles níveis de percepção são mundos em si e de modo algum são como os mundos alcançados através das práticas do sonho lúcido. Eles são indescritíveis e inexplicáveis em termos dos paradígmas lineares que o estado habitual da percepção humana emprega para explicar o universo.

No entendimento de Dom Juan, o silêncio interior é a matriz para um passo gigantesco de evolução: o conhecimento silencioso ou o nível da consciência humana no qual o saber é automático e instantâneo. Nesse nível o conhecimento não é produto da cogitação cerebral, da indução e da dedução lógica ou de generalizações baseadas em semelhanças e diferenças. No nível do conhecimento silencioso não existe nada a priori, é iminentemente agora. Peças complexas de informação poderiam ser captadas sem quaisquer preliminares cognitivas.

Dom Juan acreditava que o conhecimento silencioso era insinuado para o homem primitivo, mas que o homem primitivo não era realmente o possuidor do conhecimento silencioso. Tal insinuação, no entanto, era infinitamente mais forte do que a que o homem moderno experimenta, na qual a carga de conhecimento é produto de aprendizado rotineiro. É um axioma da cultura xamanica tolteca o fato de que, embora tenhamos perdido aquela insinuação, a avenida que conduz ao conhecimento silencioso estará sempre aberta ao homem através do silencio interior.

Dom Juan ensinava a linha inflexível da sua linhagem: que o silêncio interior deve ser obtido através de uma pressão consistente de disciplina. Precisa ser acumulado ou armazenado pouco a pouco, segundo por segundo. Em outras palavras, a pessoa precisa se forçar a ficar em silêncio, mesmo que seja apenas por alguns segundos. De acordo com Dom Juan, era conhecimento comum entre os antigos que, se a pessoa persiste, a persistência supera o hábito e, assim, é possível chegar a um limiar de segundos ou minutos acumulados, que difere de pessoa para pessoa. Se, para um determinado indivíduo, o limiar do silêncio interior for de, por exemplo, dez minutos, uma vez que esse limiar é atingido, o silêncio interior acontece por si mesmo, espontaneamente por assim dizer.
 Quando paramos o mundo, o mundo que paramos geralmente é o que é mantido pelo diálogo mental interno. Uma vez que você para o blá-blá-blá interno você para de manter este mundo. A descrição entra em colapso. É quando começa a mudança....
Don Juan chamava isso de ''CAMBIAR (mudar) DE VELOCIDAD''

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Kitaro Nishida

 
O ritmo da verdade é como uma fortaleza inquebrantável. A aspiração verdadeira para a conscientização das possibilidades mais elevadas deveria encher a maior parte da vida de um homem, como uma mais necessária e atraente ocupação. Mas a luz da verdade é substituída pelas fórmulas convencionais das religiões e as ilusões de facilidade dos preguiçosos; e o homem, que é por vocação um pensador, curva-se ante um canto escuro, e cobre-se com idéias de realizações fáceis e desprezo pelo pensamento avançado, sem nem mesmo saber que nestas imagens de facilidade apenas projeta seu medo. Repeti isto a todos os que dormem na escuridão do convencionalismo cômodo e na ilusão dos vendedores de facilidade.
 
 
 

Todas as Iogas precedentes tomavam como base uma certa qualidade de vida; mas agora é necessária uma Ioga abrangendo a essência de toda a vida. Tudo incluindo e nada evitando, exatamente como relatava a lenda bíblica sobre os jovens que não se queimavam quando, corajosamente, se sacrificavam na fogueira e, por isso, recebiam o poder.
 
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O eminente filósofo japonês Kitaro Nishida (1870-1945), contribuiu para o Zen-budismo de maneira análago á contribuição de Jaques Maritain em favor da filosofia católica. Construiu, dentro de sua própria tradição mística e na base das suas intuições tradicionais e espirituais, filosofia que fala ao mesmo tempo ao homem moderno - inclusive o do Ocidente - e permanece aberta á mais elevada sabedoria que procura em Deus. O Dr. Daisetz Suzuki disse com razão que é difícil compreender Nishida se não se tem algum conhecimento do Zen. Por outro lado, certas noções de fenomenalogia existencialista poderão servir como preparação para compreender o único livro de Nishida até agora traduzido para o inglês - sua primeira obra - A Study of God.


 
Como Merleau-Ponty, Nishida se preocupa com a estrutura primária da consciência e procura preservar a unidade existente entre o consciente e o mundo externo nele refletido. O ponto de partida para Nishida é a ''experiência pura'', ''experiência imediata'' de unidade indiferenciada que, de fato, é o oposto do ponto de partida de Descartes em seu cogito.


 
Descartes acha sua intuição básica na autoconsciência refletida do sujeito individual pensante, mantendo-se, por assim dizer, fora e separada de outros objetos de conhecimento. Do ponto de partida do pensamento refletido, o sujeito toma os conceitos abstratos de si e de seu ser como objetos - cogito ergo sum. Para Nishida (como, noutro contexto, para Maritain) o que vem em primeiro lugar é a intuição ''unificante da unidade básica do sujeito e do objeto no ser - ou uma profunda apreensão da vida em sua existencialidade concreta ''na base do consciente''. Essa unidade básica não é um conceito abstrato mas é o próprio ser - carregado do dinamismo do espírito. Nesse sentido, poderíamos adiantar que o ponto de partida de Nishida é um ''sum ergo cogito''. Contudo, isso deve ser tomado como o tentador grão de sal do Zen: ''Eu sou'', mas quem é esse ''eu''? A realidade fundamental não é nem interna nem externa, nem objetiva, nem subjetiva. Antecipa toda diferenciação e contradição. O Zen o denomina ''Vazio'' (Sunnyata). A madura apreensão do vazio primordial em que todas as coisas são uma só é ''prajna'' ou sabedoria.

 
 
Post Scriptum

 
Daisetz Suzuki (1870) propôs que passássemos finalmente da atitude convencional para a "metafísica". Ele descreve:


O método científico no estudo da realidade é ver um objeto do ponto de vista objetivo. Por exemplo: uma flor em cima da mesa à nossa frente, pode ser objeto de estudo científico. Os cientistas a submeterão a todo tipo de análises: botânica, química, física, etc. – e nos dirão tudo o que descobriram sobre a flor do ponto de vista de seus respectivos ângulos de estudo; dirão que o estudo da flor foi exaustivo e que nada mais há a dizer sobre ela, a não ser que, por acaso, seja descoberto algo novo no decorrer de muitas análises.

Portanto, a principal característica que distingue a abordagem científica é a descrição do objeto, é discorrer sobre ele, é analisá-lo sob vários ângulos. Mas ainda permanece a questão: ‘Será que o objeto todo foi de fato apreendido nessa rede?’ E eu diria decididamente que não, porque o objeto que pensamos ter apreendido nada mais é do que a soma de suas abstrações, e não o objeto em si mesmo…

O processo científico mata o objeto, assassina-o e, ao dissecar o cadáver e juntar as partes outra vez, tenta reproduzir o corpo vivo original, e esse efeito é impossível.


BERENDT, Joachim-Ernst. Nada Brahma, A música e o universo da consciência. Editora Cultrix. pp. 244-5




Post Scriptum

 


 
 

 



 
 
O Japão de Nishida



 
Nishida Kitaro (1870-1945) nasceu no começo da Era Meiji (1868-1912), quando o Japão abriu suas portas para o Ocidente depois de dois séculos e meio de isolamento. Neste momento, o Japão estava em uma situação difícil causada pelos outros países, pois os Estados Unidos estavam se expandindo a oeste de seu continente, a França e a Inglaterra estavam se expandindo na Ásia e na África e seus mais próximos vizinhos eram a China e a Rússia, países de proporções continentais, assim só havia dois destinos para o povo japonês: se tornar um peão do imperialismo europeu e americano ou se tornar um império asiático à sua forma, através de uma enorme reconstrução social, política, econômica e científica. E, como sabemos, a segunda opção foi a tomada.

Já no incipiente século XX, não havia mais volta desta decisão. Pois, os japoneses haviam derrotado a China (1894-1895) e a Rússia (1904-1905) em duas guerras e feito um grande pacto com a Inglaterra. Pelo crescimento da sociedade industrial do Japão, foi necessário cada vez mais expandir sua influência e poder pela Ásia e Pacífico por matérias-primas. Desta forma, reforçou seu poder imperialista e se envolvendo em várias seqüências de eventos iria desencadear na Segunda Guerra Mundial.
 

Os primeiros intelectuais da era Meiji esperavam ser possível desenvolver o país, ou seja, modernizá-lo sem mudar seu sistema de valor cultura, como Sakuma Shosan (1811-1864) expressava em sua famosa frase: "técnicas ocidentais, moral oriental". Mas, quanto mais se aprofundava os estudos sobre o pensamento ocidental, mais os estudiosos ficavam céticos quanto a questão de a moral e da religião não acompanharem as mudanças sócio-político-econômicas.


O problema do Japão e a solução de Nishida
Neste momento da história do Japão, não se há resposta para a questão de o que se fazer com a moral e a religião japonesa, uns pensavam ainda como Sakuma Shosan, outros ainda diziam para o Japão se cristianizar, pois, no Ocidente, cristianismo e ciência se desenvolveram tão intimamente que já estariam interligados. Fato é que o Japão não poderia mais ter uma face da ciência e tecnologia e outra para os valores tradicionais japoneses, pois sofreria de uma esquizofrenia cultural, a "Terra do Sol Nascente" precisava ter um rosto apenas, mas não uma mera escolha de lados e exclusão do outro e, sim, um rosto que abraçasse a ambos os lados, a ambas as idéias. E este rosto foi mostrado primeiramente em "A Study of Good" (1911) por Nishida Kitaro.

Em seu livro, se viu deparado não com um problema cultural, mas um problema fundamental para a filosofia, o Japão não teria que se tornar cristão para se desenvolver melhor, isto mesmo seria um erro ocidental em relação ao fato e o valor, respectivamente, a como vê seu empirismo e sua moralidade (religião e arte).

Nishida viu que esta separação entre fato e valor, empirismo e moralidade era já uma grande divergência entre o pensamento japonês e o ocidental. Assim, bastava, como solução, juntá-las de volta, mas, para isto, Nishida usou a noção de "experiência pura", que achou nos escritos de William James, para "articular a fluência da experiência comum através da unidade que está sob ambas as empresas da experiência e dos valores"[1]. No fundo, ciência e moralidade compartilham o mesmo caminho ("a vontade") para a unidade, o que Nishida chama de "intuição intelectual".
 

Desta maneira, o dilema fato/valor também satisfez às idéias do Zen budismo, pois traz a unidade original da experiência de volta. Ou seja, "A Study of Good" conseguiu satisfazer a muitos unindo tais extremos, acabou por se tornar popular entre os intelectuais japoneses, pois fez da filosofia algo japonês e, assim, nasceu a Escola de Kyoto.

[1]KASULIS, Thomas in: CARTER, Robert E. The nothingness beyond god. Paragon house. 1997. P. 13
 

 
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